quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mais um bom álbum que você (provavelmente) nunca ouviu

The Dresden Dolls - Yes, Virgina


Yes, Virginia é o segundo álbum de estúdio do duo norte-americano. Para quem não conhece, The Dresden Dolls (TDD) é formado por Amanda Palmer (piano e vocal) e Brian Viglione (bateria e vocal). Atualmente em um iato criativo e seguindo com suas carreiras solo, o som da banda é o que os dois chamam, até certo ponto de forma jocosa, de "Brechtian Punk Cabaret" - o termo foi criado pela vocalista a partir do medo que ela tinha com a imprensa em rotulá-los com algum nome envolvendo a palavra "gótico". Atualmente, Amanda Palmer segue sua carreira solo com dois álbums de músicas próprias já lançados, trabalhos coletivos, releituras e com turnês mundiais. Brian Viglione tem gravado com diversos artistas (incluindo o NIN) e saído em turnê com alguns destes. Juntos a banda tem feito shows esporádicos desde o ano passado, mas sem grandes compromissos de turnês enormes e longas.

Yes, Virginia:

O álbum abre com Sex Changes, uma canção energética - vocais, pianos e bateria mais fortes - que fala de uma forma mais soturna (e talvez real) sobre sexo na adolescência: de como isso muda você, como as pessoas usam o sexo, e que talvez não é como você esperava que fosse.

A seguir, vem Backstabber. Mais calma que a primeira, foi um dos singles do álbum. Fala basicamente sobre um traidor da Amanda. Um vocal um pouco mais trabalhado do que a primeira, com uma segunda voz bem legal e uma melodia bem grudenta. Longe de ser uma balada, apesar do ritmo mais lento. Tem vídeo clipe.

Modern Moonlight das três é a mais "pesada", bateria e piano mais acelerados, é a que mais tende pro lado "punk" nessa primeira metade. É interessante destacar a quebra de ritmo da música e os ótimos vocais na última parte da música. Ela mostra um pouco do que é bem comum no trabalho do duo: a variação de ritmo nas e entre as músicas. Mas os temas não muito bonzinhos continuam, aqui tomando um tom mais político com a ideia de como o mundo moderno tem seu lado negativo na banalização das coisas, incluindo pessoas.

A quarta faixa do álbum (My Alcoholic Friends) trata-se da música mais alegre e divertida dessa primeira metade. Contudo, a letra, mesmo que um pouco engraçada e não muito séria, trata de problemas com a bebida e o descontrole da eu lírica com relação a beber. Música alegre, humor negro na letra.

Delilah, a quinta faixa, é a primeira balada do álbum. Mas não espere algo romântico. Ou dor de cotovelo. A música tem uma melodia bem triste, mas cativante. Os vocais são bem bacanas e te passam o clima da música sem problemas. A letra é uma espécie de diálogo, ou melhor, esporro, onde a eu lírica comenta com sua amiga o quão burra é ela em cometer os mesmos erros ao insistir em ter relacionamento com um sujeito cretino - e aí depois ir chorar as pitangas. Canção poderosa, uma das minhas favoritas (talvez porque eu me identifique com a Amanda nessa situação, e gostaria de ter lembrado dessa música algumas muitas vezes para cantar para uma amiga. Porra, porque eu parei de ouvir Dresden nessa época? Mas divago...).

Dirty Business chegamos na segunda metade (arredondando pra baixo). Com melodia e ritmo bem mais fortes que Delilah, quebra um pouco o clima depressivo e voltamos a um clima de mais raiva e indignação. A letra soa como uma revisão do passado e do presente dela e de outros que compartilharam algum período longo, talvez escolar - faculdade ou escola. Atitudes de pessoas e talvez dela são revistos e colocados numa perspectiva do futuro, algo como: "lembram aquela garota que você tirava sarro e dizia que não seria ninguém? Então. E você? Como anda?". Pianos, vocais e baterias muito bons e fortes.

Agora vem cá a música mais desconfortável para a maioria das pessoas - First Orgasm. Melodia bonitinha, piano calmo, sem peso na bateria. Tudo seria okay até para os mais chatos com relação a temas: a não ser que o tema da música fosse sobre masturbação. Mas não existe nenhum tom infantiloide ou "piadista". O crescente ao final da música é muito bom e fecha bem com o clímax da música (sem trocadalhos).

Mrs. O. - a primeira música mais jazzista do álbum. Bateria bem marcada, ritmo calmo, piano calmo, vocais calmos no geral, mas variando de intensidade. Uma canção muito bonita, senão a mais bonita do álbum, é uma das minhas favoritas. A letra, de forma alegórica, fala sobre como aprender a lidar com as dificuldades e tristezas da vida, e como, em geral, as pessoas nos dizem como temos que sorrir sempre e que 'a vida é bela'. Mas fala, também, como a realidade/verdade pode ser cruel quando não estamos prontos para recebê-las, especialmente pra quem sempre viveu em uma nuvem cor de rosa.

Shores of California tem um ritmo de jazz bem forte. Fala sobre como funcionam os relacionamentos, em geral, entre garotas e garotos - e de certa forma, até com muitos adultos. Um refrão bem poderoso, com vocal bem acertado que convida a cantar junto. As mudanças de ritmos acontecem aqui também e encaixam bem na música. A segunda voz ao final da música me agrada muito. Tem um clipe muito bacana.

Necessary Evil não é uma das melhores, ritmo mais simples e refrão bem grudento. Tem um jeito mais "punk", no sentido de ser menos elaborada que as demais. Combina com os vocais mais raivosos e a letra sobre "um mal necessário", algo como aquele ou aquela amante (não no sentido de "segundo time") que é difícil de tolerar, te faz até um certo mal, você estaria melhor sem, mas que de certa forma é bom. Não deixa de ser uma canção legal e cativante, especialmente pelo refrão.

Ahhh...! Mandy Goes To Med School. Canção boa do caralho. Lembra aquele jazz legal que dá vontade de ficar estalando os dedos e dançando. É aqui onde Amanda consegue mostrar toda sua qualidade de vocalista e pianista. A canção fala basicamente sobre o "show busyness" e como todos sempre dizem saber o que você deve fazer para se dar bem, como alguns manipulam as pessoas para conseguirem seus fins, e por aí vai.

Me And The Minibar vai para um caminho mais depressivo e triste, mas não muito sombrio. Na música a eu lírica chora, ou lamenta, a ausência de seu amante no que pode ser ou seu aniversário, ou o aniversário de namoro (ou coisa que o valha) deles. Não fica muito claro se essa pessoa morreu, ou simplesmente a abandonou - acredito ser a segunda hipótese. O que importa é que ela agora está em um quarto de motel ou hotel vagabundo, enchendo a cara e celebrando com ela mesma pelos dois. Em termos de música, Me And The Mini Bar é somente piano e voz, num ritmo mais lento, de uma balada amarga.

A última música do álbum, Sing, é mais uma balada. Uma balada "amarga alegre": tem uma melodia triste (e bela), mas uma metáfora positiva. Algo como: levante a cabeça e mande todo mundo à puta que os pariram. Mas de uma maneira metafórica. Bom instrumental, piano e bateria fortes, bem marcados, vocal com bastante energia. Letra bem inteligente e com uma metáfora simples, nada pretensiosa, mas longe de ser banal - ótima canção. Tem clipe também.


Bom, é isso. Acabou que a postagem rendeu bem mais que o esperado. Se gostarem de Yes, Virginia, deem uma olhada nos trabalhos mais recentes da Amanda e do Brian e nos outros álbums da banda (o EP A is for Accident e o álbum The Dresden Dolls).


----------------------------------------
Links diversos:

No Facebook

No Twitter

Páginas oficiais:

sábado, 26 de março de 2011

A imbecilidade musical de hoje ou Meu ouvido virou penico de vez!

Você aí que lê esse blog tem, minimamente um interesse qualquer por música. Já se perguntou quanta poluição sonora a gente ouve por aí? Não estou falando de buzinas, ronco de motores nas ruas, bebês chorando ou coisas do tipo. Digo sobre o quanto de lixo musical a gente recebe todos os dias. É tanta coisa ruim de ouvir e a gente não se toca que acostumamos mal nossos ouvidos.

Queria falar sobre isso há muito tempo mas agora foi a gota d'água. Tem um vídeo de uma garota chamada Rebecca Black no Youtube cantando uma música chamada "Friday". É difícil dizer algo diferente, mas perto dela, Justin Bieber é Beethoven.

 CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!
 CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!  CUIDADO!

Até a hora em que eu vi o vídeo, o contador mostrava 54 MILHÕES de visitas desde fevereiro desse ano. Só pra vocês terem um comparativo, "Alejandro" da Lady Gaga teve 130 milhões e "Never Say Never" do Justin Bieber teve 176 milhoes. Além disso, ela estrou nessa semana como 72a música nas paradas americanas e 2a música mais procurada na Billboard. E "Friday" não teve propaganda na TV, nem estréia mundial nem passou no Fantástico (até agora...). Tive também o cuidado de procurar por entrevistas e outras notícias sobre a garota e sua música e foi muito curioso o que achei.

O noticiário americano chega a exaltar a garota e conversa sobre o cyberbullying que ela vem recebendo devido às críticas de seu trabalho. E, surpreendentemente, achei também uma reportagem na Mtv falando sobre seu sucesso (nesse vídeo, até Lady Gaga elogia a garota). Mas isso não quer dizer que não vi nenhuma crítica. Achei várias paródias e videoblogs falando sobre como a música é horrível.

O que me incomoda nessa história é que a mídia não quer ou não se importa em discutir a qualidade musical de certas canções. Uma garota botar em uma letra de música que "quinta vem antes da sexta" e "sábado vem depois da sexta" é de uma imbecilidades sem tamanho! É como se todos fizessem vista grossa sobre o que ouvimos. É como a Globo trata as outras emissoras de tevê, ou seja, as outras emissoras abertas não existem: nunca comparam, nunca citam seus nomes, só existe a Globo.

E o que tem a ver uma música americana com nosso dia a dia brasileiro: Absolutamente TUDO! Além do país consumir muita música internacional, somos bombardeados todos os dias com todos os tipos de música de qualidade duvidosa. Quem já nunca ouviu um funk com letras de cunho sexual extremamente pesadas? Axés de duplos sentidos vergonhosos? Ou músicas sertanejas repetitivas e com a mesma temática incessante do chifrudo que quer voltar para a mulher? Ou, quem sabe, até outro tipo de sertanejo, disfarçado de rock, - conhecido como Restart e derivados? Todos os dias esse tipo de lixo é responsável pela impregnação do ar nas nossas cidades.

Longe de mim querer criticar quem gosta de certos tipos de música. Tenho minhas preferências musicais e garanto que a maioria delas não são nem de longe coisas geniais ( reconheçco, a maioria das coisas que gosto pode ser extremamente chata e estúpida para alguns). Quero discutir aqui a que ponto chegamos. Não nos preocupamos com o que entra nos nossos ouvidos. E aí está um grande erro. Muita gente não tolera ver algo considerado feio ou comer comida ruim. Tratamos muito mal nossos ouvidos, mesmo que esse maltrato seja feito por terceiros: aceitamos carros de som alto nas ruas, toleramos qualquer pangaré colocar um amplificador em uma praça e sair "divulgando seu trabalho", o mesmo faz os grandes magazines, seja com música mecânica ou um trio de metais qualquer na porta da loja (isso realmente ajuda a angariar clientes?). Toleramos até mesmo qualquer pessoa ouvindo celular alto nos espaços públicos ou nos meios de transporte.

E enquanto isso, vamos cagando e andando para nossos ouvidos. Eu, pelo menos, gosto de outras músicas que falam sobre sexta-feira:

segunda-feira, 14 de março de 2011

Talking Heads e sua cauda longa


Há poucos dias lembrei de uma banda antiga que conhecia muito pouco. Pra corrigir esse meu erro, ouvi seus discos e fiquei surpreso com duas coisas: a primeira é de que conhecia mais musicas deles do que pensava. A segunda é de que confirmei como a banda influenciou - direta ou indiretamente - o som da quase totalidade do que a gente conhece hoje como som "indie", que surgiu na década de 1980, se diluiu nos anos 1990  e reapareceu a partir dessa última década.

Para mim, eles fizeram mais que influenciar. Vou me arriscar aqui a cometer uma possível heresia - do que adianta escrever sem criar polêmica? Talking Heads foi o precursor, o marco zero, do que hoje chamamos de indie rock. O som da banda se baseia em música pop, punk rock, world music e o que chamam de art rock. O segredo da banda, pra mim, foi conseguir misturar uma certa crítica cotidiana nas letras com uma pitada de experimentalismo, transformando o que seria supostamente chato em algo extremamente palatável e, até certo ponto, de alto astral, dignos do que o rock é capaz de fazer.

O som da banda influenciou uma leva grande de bandas e músicos. Usando pouco esforço, dá pra comparar e perceber certas semelhanças nos sons de bandas recentes com o que o Talking Heads começou a fazer a mais de 30 anos atrás. Pra isso, classifiquei o som do Talking Heads em fases distintas, pra ficar melhor de explicar.

A primeira fase do Talking Heads  é muito puxada pro que a gente pode chamar de pós punk. É um som mais de banda de garagem e incluo os 3 primeiros álbuns: "77", "More Songs about Buildings and Food" e "Fear of Music". Franz Ferdinand e várias outras bandas do gênero (Futureheads, Maximo Park, The Rakes) lembram muito TH dessa época. Olha só:

Talking Heads - Found a Job

Franz Ferdinand - The Dark of The Matinee

The Rakes - Work, Work, Work (Pub, Club, Sleep)


Considero a segunda fase do Talking Heads uma mistura entre o rock e elementos mais dançantes, provavelmente misturando elementos da disco e algum experimentalismo. "Remaining in Light" e "Speaking in Tongues" são os dois álbuns que tem as sonoridades parecidas. Dessa leva, alguns sons lembram muito LCD Soundsystem.

Talking Heads - Once in a Lifetime

LCD Soundsytem - Home

A terceira fase é a mais pop e foi com os álbum "Little Creatures" e o "True Stories" que a banda fez sucesso com músicas mais palatáveis. Apesar de ser pop, a banda começa a introduzir sons mais experimentais , além de uma marcação mais caribenha. As músicas de maior sucesso comercial estão nessa fase e, antes de muita banda, eles começaram a fazer o povo dançar. B52's e REM são influenciados por essa fase do TH. Ouve:

Talking Heads - Love For Sale (1986)

B52's - Love Shack (1989)

A quarta e última fase mostra um som mais world music, com elementos africanos e brasileiros se incorporando ao som da banda. O álbum que mais tem essa roupagem é o "Naked", de despedida do quarteto. Paul Simon e Vampire Weekend beberam muito dessa fonte...


Talking Heads - (Nothing But) Flowers

Vampire Weekend - Cape Cod Kwassa Kwassa

Antes de terminar, deixo três curiosidades do Talking Heads:

* Radiohead só tem esse nome por causa de uma música homônima do Talking Heads, do álbum "True Stories". A música nem tem a ver com o som da banda do Thom Yorke, mas fica o registro.

* "(Nothing but) Flowers" foi a música do Talking Heads que protagonizou um episódio emblemático no showbiz brasileiro. Caetano Velozo, no VMB 2004, perdeu a linha - e com razão - depois do som ter flahado duas vezes na hora em que ele e David Byrne (vocalista remanescente da banda) foram tocar a música no prêmio. O link está aqui e vale a pena dar uma olhada!

* David Byrne gostou tanto dessa idéia de fazer sons brasileiros que hoje ele é figurinha fácil em álbuns de cantores brasileiros: Naná Vasconcelos, Marisa Monte, Tom Zé, Margareth Menezes são alguns dos músicos brasileiros que já gravaram com ele.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dançar tá na moda, Thom Yorke!

Como dançar está na moda, né? Depois da Magaly dar show no Largo da Carioca no Rio e da farra da Carreta Furacão de Ribeirão Preto dançando lascivamente, vem o Radiohead lançar seu novo álbum. E, junto com ele, seu novo videoclip. Thom Yorke, com a dádiva e a epilepsia voluntária que Deus lhe deu, apareceu como brinde aos memes, com sua desenvoltura estilística de quem está com apendicite e coceiras generalizadas. O vídeo, que era pra ser, sei lá, meio cult (todo em preto e branco, coisa e tal) virou prato cheio pras várias versões globelezísticas da nossa querida e famigerada internet. Antes de falar do resto, já digo: a música é boa.


Mas quem aí está vendo o clipe e acha que ele é "inovador", não sabe as fronteiras que os homens do sexo masculino (eu não sou burro, usei pleonasmo de propósito porque eu quis) tiveram que traçar para que Thom Yorke pudesse fazer sua dança sem queimar em praça pública. Resolvi, pelo pouco que lembrei, listar alguns clipes em que os homens e suas danças esquisitas são destaque. Muitos já desbravaram essa fronteira, galgando degrau por degrau a timidez do corpo franzino e dando voz ao jeito estranho de dançar moleque, raiz,  do jeito estranho de dançar de várzea. Já falo aqui que clipes que os caras mandam bem no rebolado não entram na lista

O primeiro a atravessar essa fronteira foi nosso Rick Astley, fazendo com que o clássico pra lá e pra cá ficasse estranho em um corpanzil de frangote de ginga weird-marota. Com seu sobretudo e seu topete, Rick mostrou que, com poucos movimentos, fez o ballet de Bolshoi tremer. Ter convulsões e passar mal.



Desenvolvendo a técnica para o mundo rock, Iggy Pop (apesar de certa idade), não fez feio nesse vídeo feito pro filme Trainspotting. Com a ajuda de outros "molecotes" em cena, ele dá a sua versão rock and roll pra desajeitada dança masculina. E essa vem com punch, com pegada, sem cerimônia.



Depois de muitas papagaiadas sendo feitas nos anos 90, o grande Fatboy Slim retomou essa escola. Com Praise You, dirigido por Spike Jonze, o DJ pôde dar a mensagem: "você, esquisito que dança sem coordenação: você tem o seu valor! Mesmo que tenha que aparecer em frente a uma fila de cinema, com seus amigos excêntricos e mostrar o que aprendeu a duras penas. Quer dizer, que está aprendendo ainda...".



Um também adepto dessa arte foi o Moby. Na verdade não foi ele, e sim, outras pessoas que se prestaram a fazer esse papel. É cada figura que aparece... e é no estilo freestyle, mano! É roots, é improviso e sentimento, sentindo a batida! Não tenho nem mais o que comentar. É só ver aí.



E agora chegou a vez de alguns exemplares tupiniquins, mostrando que o molejo da parte debaixo do Equador pode ser tão ruim quanto qualquer outro. A primeira amostra é do "jênio" Rogério Skylab, mais conhecido pelas bizarras entrevistas do Jô Soares do que propriamente pelas suas músicas. Eu, sinceramente, acho que ele deixa Thom Yorke no chi-ne-lo! Ele tem a arte do molejo improvisado minimalista que exprime todo o ser psicopata que esse cara é. Curtam! 



E o último, pra fechar com chave de cocô (by Melhores do Mundo), vai o vídeo mais vergonha alheia da lista. Pouca gente o viu pois tem a versão ao vivo desse clipe. E por quê? Porque esse aqui ficou uma coisa ruim que não tem tamanho. Imagina a idéia genial: pegar o cara mais inexpressivo da banda e fazer ele dançar - ou seja lá isso que ele estiver fazendo - por vários pontos do Rio de Janeiro. Lugares públicos. Sim, é isso mesmo. Na sua cabeça isso tá ruim, né? No vídeo, te garanto, ficou pior:



Uma menção honrosa: esse vídeo merece uma atençãozinha também porque é mto boa essa dancinha! Men at Work, lá pelo 1:34 minutos do vídeo....



Eu espero ter dado minha contribuição a cultura pop. Eu sei, tem uma porrada de vídeos que eu esqueci e pode citá-los nos comentários. E viva a falta de jeito, o descompasso, a cara esquisita e o "sem jeito mandou lembranças"!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Auto Tune: da (maldita!) Cher ao Bed Intruder


Olá minha gente! Tô de volta com uma história que sempre quis contar e só há pouco, depois de fuçar bastante - e de um pouco de sorte também - fui saber. Sabe aquele som metálico que você ouve nas músicas de rap e pop americanos que dá aquele efeito robótico e meio enjoado nas músicas? Aquilo tem nome e foi descoberto, digamos, por acaso. O Auto Tune, depois de virar uma desgraça pop, com um pouquinho de criatividade e inteligência, se tornou algo que muitos não acreditavam que podia acontecer. O sith saiu do lado negro da força (citação nerd desnecessária).

A história do Auto Tune começou por acaso: um engenheiro da Exxon começou a usar ondas de som pra procurar reservas de pertróleo no mar. Andy Hildebrand, o tal engenheiro, percebeu que a mesma técnica que ele usava na exploração podia, digamos, corrigir notas musicais de cantores desafinados. E, em 1997, ele lançou o Auto Tune como plugin de programas de áudio, pra corrigir eventuais notas que saíssem um pouco da melodia.

Mas o som metalizado, como efeito óbvio de vocal distorcido, dando um tom meio robótico na voz, foi usado pela primeira vez pela (maldita!) Cher, naquela música (puta chata!) chamada Believe em 1998. A música ta aí, só pra você lembrar dela.

Cher - Believe (argh!)

O efeito foi sendo usado de maneira moderada até 2005. Um (maldito!) rapper americano chamado T-Pain teve a audácia de usar em TODAS AS MÚSICAS do álbum dele chamado Thr33 Ringz! Chega a ser insuportável...

T-Pain - Can't Believe It (Nem eu!)

... e essa (porra!) de Auto Tunes fez sucesso. E você sabe: se fez sucesso a indústria da música usa até você pedir arrego e não aguentar mais. Vide Anna Júlia do Los Hermanos. Esse efeito virou moda e apareceu em muitas outras milhares de músicas, desde aquelas de artistas menos conhecidos até "medalhões" como Snoopy Dog e Rihanna. Assim como eu, várias pessoas passaram a odiar essa história. E, do ódio para a ridicularização, foi um passo.

A internet, nesse ponto, se apresentou como algo genial. Quem poderia pensar que um miado de gato, um discurso importante ou uma reportagem na TV pudesse virar, digamos, uma música? Qualquer som que pudesse ser produzido poderia, com o AutoTunes, virar melodia! E isso fez com que qualquer conversa banal ou qualquer dizer virar algo engraçado. Até o Jimmy Fallon usou na premiação do Emmy.

E a paródia foi tão além que em 2009 foi criado um aplicativo pro iPhone chamado "I Am T-Pain", que traz o Auto Tunes pro telefone da Aplle. Sua voz ficar perfeitamente robotizada! Que coisa, não?



Quando eu, você e o resto do mundo achávamos que tinha acabado, veio o auge: um grupo muito esperto, que era especializado em fazer "autotunização" do noticiário americano, fez uma jóia: pegou uma reportagem banal, típica de qualquer noticiário regional de redações que não tem muito o que mostrar, e transformou em um dos maiores memes de 2010. Alguém ainda não ouviu "Bed Intruder"? (Quem não sabe aqui mostra a história toda)


O que é mais impressionante é a qualidade da música. É simplesmente aterrorizante (de bom) em ver como eles fizeram isso. A música fez tanto sucesso que os Gregory Brothers responsável pelo remix) negociaram com o Antoine Dadson (que aparece no vídeo, homeboy!) e venderam a música no iTunes! A música chegou às paradas da Billboard de tanto que foi tocada. 

No Brasil, o Auto Tunes também fez suas vítimas:  Joel Santana  eseu inglês perfeito, o Zagallo e seu clássivo "vão ter que me engolir", além de Serra S2 Dilma, que fez sucesso na época das eleições.

É muito bom saber - e reconhecer - que a Internet é um baita veículo que revoluciona muita coisa, mudando a forma como usamos e subvertemos determinados usos. O Auto Tunes é um belo exemplo disso: como uma bela bosta, se bem usada, continua uma bela bosta. Só que divertida!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Blame Canada! Or not...


Quem já viu o filme do South Park sabe do que estou falando. Nele, fazem uma brincadeira com o Canadá que, por causa de um motivo bobo, passa a ser culpado de todas as mazelas que acontecem nos EUA. O filme mostra um pouco esse preconceito velado pelo qual os canadenses passam. Muita gente acha que esse país vive à sombra dos Estados Unidos, o que não é verdade.

MAS (e tem sempre um "mas") há sempre os que denigrem , um pouco, a imagem do todo. Nosso amigo teen Justin Bieber não me deixa mentir. Na minha opinião (sempre, de merda), o problema nem é sua música mas a exagerada exposição de mídia que ele tem. De 10 matérias em site, 1 tem que ser falando sobre ele. Se o garoto espirra, lá está a notinha de fofoca. Ou se ele muda o penteado, tá lá na capa da Capricho. É impressionante como temos a capacidade de tornar algo irrelevante uma notícia.

Mas não vou me estender nesse assunto pois o post é outro! Tem um fato engraçado: todas as bandas ou artistas musicais que cantam em inglês são colocados no mesmo saco como sendo americanos. Isso se deve muito à etnia e ao sotaque dos canadenses, bem semelhantes ao do seu país vizinho. Aposto que, muita gente que tá lendo não sabia que o Bieber era canadense, por exemplo. E junto com essa, vão outras revelações: Alanis Morissette, Rush, Neil Young, Bryan Adams(sic) e Avril Lavigne(sic sic sic) são do Canadá! Tudo bem, um ou outro dessa lista não é lá essas coisas, mas o Canadá tem artistas notáveis. Meu objetivo é mostrar a nata da nata canadense, aqueles artistas ou bandas que acho fodões e não aparecem lá tanto assim. Não é, Sr Bieber?

Arcade Fire

Essa banda, de Montreal, entrou no cenário indie lá pelo meio da década ´00 e fez relativo sucesso com seu primeiro álbum, "Funeral". Eles mesclam um som bem trabalho com um vocal que soa um tanto desesperado e melancólico. Eles mesclam, além de guitarra, baixo e batera, vários outros instrumentos, tipo violoncelo, xilofone e harpa. Um pouco do seu sucesso também está pela notável presença de palco da banda. O novo álbum dos caras, "The Suburbs" foi considerado um dos melhores álbuns de 2010 pela revista fodona inglesa New Musical Express. Ficou empolgado? Olha uma música que os caras tocam num show lotado no Madison Square Garden:



Metric

O quarteto de Toronto é de som poderoso! Com uma vocalista feminina afinadassa (Emily Haines) e uma guitarra pesada, fazem um hard rock indie dos bons. A banda tem 4 álbuns até agora e esse ano ganharam, com o álbum "Fantasies", o prêmio de melhor álbum de rock alternativo do Canadá no Juno Awards. Junte a isso a presença de uma música deles na trilha do filme "Scott Pilgrim Contra o Mundo", cantando "Black Sheep", composta pro filme. Música foda para caralho! Ta aí embaixo.



The Stills

Uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos. Eles são de Quebec e a banda se formou no ano 2000. É uma das primeiras bandas, junto com os Strokes, a caracterizar o uso de duas guitarras com sons complementares (cada guitarra faz um som diferente, formando um andamento, diferente de base e solo, onde uma guitarra "segura" a música e a outra faz firula). Eles combinam sons e ruídos com uma melodia muito bem feita. Além disso, o álbum de estréia ("Logic Will Break Your Heart") é qualquer coisa de brilhante! Com os outros álbuns (3 no total) foram aos poucos refinando seu som cada vez mais. Os caras já abriram shows pro Paul McCartney e Kings of Leon e são excelentes músicos. A música do álbum de estréia que tá no vídeo abaixo ("Still in Love Song") e é das minhas prediletas. Suei pra achar o vídeo pra incorporar, então aproveite!



Feist

Apesar do material que ela lançou por último não ser assim tão recente, é o que tenho mais ouvido ultimamente. Leslie Feist já fez parte da banda Broken Social Scene, um conglomerado de artistas (até o pessoal do Metric aí em cima já participou) e, depois, foi fazer seu vôo solo. Eu ouvia seus álbuns até ver um show seu pela TV, onde fiquei realmente impressionado. Além da voz aveludada de um timbre bem suave e ao mesmo tempo potente, ela mostra uma habilidade foda com a guitarra e com os apetrechos que ela usa nos shows. A moça, que é de Calgary, tem 3 cd's lançados e começou a deslanchar musicalmente com o segundo, "Let It Die". Mas a moça ficou realmente famosa depois de um de seus clipes ter sido usado na propaganda do iPod: "1,2,3,4". E nem é a melhor música dela. Mas vou postar o vídeo, que é bom mesmo assim.



Vou botar outro, pra mostrar a moça ao vivo. Foda-se post grande....rs...


Espero que, agora, não culpem tanto assim o Canadá! E viva a folinha de bordo*!

*Pra quem não sabe, é aquela folha na bandeira do Canadá =P

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sertanejo Universitário: Você está ouvindo a mesma música em loop!


Esse post foi, digamos, "incentivado" depois que fui na formatura de 2º grau de minha sobrinha. Em Minas - e em uma parte maciça do Brasil - o chamado "sertanejo universitário" é um estrondoso sucesso. Vide a repercussão sobre Luan Santana, Victor e Léo e os CD's de coletânea da Somlivre que não param de serem anunciados na emissora do finado Roberto Marinho. Não se fala de outra coisa.

Este chamado "sertanejo universitário" nada mais é do que música pop meio mascarada. Digamos que a parte sertaneja fica por conta das melodias meio cancioneiras inspirados lá dos tempos de Chitãozinho e Xororó, Zezé & Luciano e no country americano. A parte universitária responde à harmonia (a música sem a parte cantada) que é pop até o último fio de cabelo. Isso tudo é requintado com solos brega com guitarras, digno de Amado Batista.

Na verdade eu não tinha muita implicância com o gênero pois é mais aceitável para os ouvidos do que outros ruídos por aí que chamam de música/manifestação cultural (de merda!). Só depois de escutar várias delas em seguida e sem querer, eu notei uma coisa: estava ouvindo a mesma música, em forma de loop! Eu explico:

Você já deve ter ouvido uma música com os mesmos acordes que outra música tem, certo? Tipo "La Bamba" do Ricky Valley e "Twist and Shout" dos Beatles. Bandas de formatura costumam tocar inclusive essas músicas emendadas umas nas outras, pra não perder o ritmo, sacomé..."Open Your Eyes" do Snow Patrol e "I Got a Feeling" do Black Eyed Peas também são meio assim, "parecidas"(pra não falar iguais). Se você ainda está boiando, ouve só:

Snow Patrol (Open Your Eyes)+Black Eyed Peas (I Got a Feeling)


A maioria das vezes em que isso acontece é por coincidência (um não tem a menor intenção de copiar o outro) e por uma coisa muito comum na música pop: o formato da música. É como se você, pra fazer uma música, usasse uma mesma fôrma de bolo: eles vão ficar iguais, mas vão ter sabores diferentes, dependendo da receita. Algumas receitas, como o "bolo de chocolate" é sempre muito usado, tanto na cozinha como na música. Aí mora o problema.

Existe, na música pop, uma fórmula muito usada. E ela serve pra qualquer tom que a música tenha. É difícil explicar sem ser de forma técnica mas vou tentar: é como se você usasse uma régua marcada com 4 buracos (acordes) e, usando aquela régua, você conseguisse sempre uma excelente medida (harmonia da música) marcando os buracos nas suas distâncias certas, seja qual for seu ponto de início (tom da música).  Usar a régua marcada é quase garantia de sucesso.

Eu me espantei como essa régua é usada, descaradamente, nesse sertanejo universitário. Pedi a um amigo que conhece as músicas sertanejo-universitárias que estão fazendo sucesso que me passasse uma lista com umas 12 músicas mais ou menos. Eu fiquei espantado com o que ouvi quando juntei algumas delas. O resultado eu comprovo abaixo (Não se preocupe, são só trechos. Você não vai precisar ouví-las na íntegra =D):

Luan Santana (Adrenalina) + Paulo Leite e Cristiano (Tô Fora) + Victor & Léo (Ao Vivo e Em Cores)


Com 3 músicas deu pra fazer uma só! E é bom que economiza também, pois se eles fizerem show juntos dá pra contratar só uma banda! E não pára por aí, tem mais:

Guilherme e Santiago (Tá se achando) + Maria Cecília e Rodolfo (Você Não Merece) + César Menotti e Fabiano (Labirinto)*

*Um detalhe: a música do César Menotti e Fabiano é meio tom maior do que as outras duas, mas que não causa muito prejuízo na hora de escutar.

Os dois "mix" de música usam a tal fórmula da régua. E o mais impressionante é que nem o ritmo (velocidade) delas muda: é sempre a mesma levada. Isso mostra uma pobreza musical sem precedentes. Imagine que você ganha um CD com, sei lá, 12 músicas e percebe que 6 delas são praticamente A MESMA MÚSICA! Não estou falando de músicas parecidas, estou falando DA MESMA MÚSICA! Os mais chatinhos vão falar que a letra é diferente, que a melodia também é... mas você consegue ouvir essas compilações e ficar indiferente a isso? Acredito eu que não.

Esse formato não se restringe a música sertaneja universitária. Muitas outras músicas internacionais padecem do mesmo mal. Esse vídeo - muito bom, por sinal - tira sarro disso:



Não estou querendo acusar estes artistas de serem levianos ou que usaram essa fórmula pra fazerem sucesso. Quis demonstrar aqui que a criatividade e a falta de coisas novas no mercado fazem com que fiquemos achando que esse movimento é uma grande novidade em termos musicais. E meu problema não está, necessariamente no formato das músicas, e sim, no uso à exaustão de um recurso muito pobre em criatividade e frescor musical.

Não sou preconceituoso com música brasileira, prova disso são as várias recomendações de músicas e artistas do Brasil com altíssima qualidade (segundo minha opinião de merda). A gente sabe: muitos dessas duplas aparecem com os modismos e somem na mesma velocidade, assim, de repente. O que eu quis mostrar como é fraco o mercado de música para as massas no Brasil. Por isso, prestem atenção aos ouvidos e, se puder, ouça algo que não sejam os mesmos 4 acordes, ok?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Trilhas sonoras: as melhores coletâneas do mercado.

Sou eu, de volta a escrever no blog! E para esse retorno, resolvi juntar duas coisas que gosto e por o assunto na roda: cinema e música! E não tem como pensar em cinema sem pensar em música. Fazer estas duas coisas trabalharem em conjunto pode ser feita de uma maneira muito próxima - os filmes-musicais - ou onde um barulho pode ser uma trilha sonora. Com a qualidade das coletâneas musicais e das músicas incidentais presentes nos filmes e transformadas em álbum, apresento no post os diversos tipos de trilha sonora que existem no mercado.

Juntar música e cinema é como juntar dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Não há combinação mais perfeita. Digo isso não só pela incorporação óbvia de imagem e som. Experimente ouvir a mesma trilha sonora antes e depois de ver um filme. É impossível ficar indiferente. Gostando ou não do filme, a sua percepção muda completamente. E é isso que torna, muitas vezes, determinadas trilhas sonoras tão significativas.

Existem vários tipos de trilha sonora, e neste post vou tentar explicá-las, mesmo que de uma maneira meio "basicona". E o primeiro tipo é composto de canções de um filme musical, onde as músicas tem a mesma ou maior relevância do que o próprio filme. Sem elas músicas, a própria história contada não faria sentido pois a música é sua razão de ser. Na verdade, musicais não fazem sentido nenhum - ou você acha que, do nada, num dia comum de trabalho, você começa a cantar alegremente e seus co-workers fazem coro pra você, como se fosse algo mais normal do mundo? - . Geralmente as músicas são compostas especialmente pro filme. Ou o filme é feito por causa da música. Enfim, o fato é que essas costumam ser as piores trilhas(e piores filmes também). Porque filmes musicais são em sua maioria, um porre! Bom, "Grease" (Nos tempos da Brilhantina) ou, sei lá, "Chicago" são exemplos desse tipinho de filme chaaaaato:

John Travolta e Olívia Newton John - You're The One That I Want (Trilha de "Grease")

O segundo tipo de trilha sonora são as de músicas de fundo para as cenas dos filmes. Geralmente orquestradas, muitas dessas trilhas não fazem muito sentido se ouvidas sozinhas, como peças musicais. Elas só ganham relevância pra quem assiste o filme, onde a música evoca as sensações e percepções sentidas naquele momento. A trilha do Vangelis para Blade Runner ou a trilha do Hanz Zimmer de Inception (A Origem) são dois desses exemplos. Impossível ouvir Edit Piaf tocada de forma distorcida e não lembrar das cenas em slow motion feitas por Christopher Nolan.

Hanz Zimmer - Half Remembered Dream (Trilha de "A Origem")

O terceiro tipo, e o mais comum, é a coletânea das várias músicas pop que preenchem o filme. As músicas são selecionadas de acordo com a característica da obra e, muitas vezes, pelo próprio diretor. E, ainda dentro desse meio, existem mais 3 modalidades.

---A primeira é a de uma simples coletânea: pegam-se músicas existentes ou já gravadas que serviram ao filme (Nem sempre estarão todas elas). Este é o tipo de trilha sonora ideal pra se conhecer bandas e artistas diferentes. Os seriados americanos e os filmes sobre cultura pop costumam reservar as mais surpreendentes delas. Os filmes "Transpotting", "500 Dias com Ela" e os seriado "Grey's Anatomy" e a falecida série "The O.C." tem trilhas excelentes!

The Passanger - Iggy Pop (Trilha do filme "Transpotting")

Regina Spektor - Us (Trilha de "500 dias com Ela")

Peter, Bjorn & John - Young Folks (Trilha de "Grey's Anatomy")

Spoon - The Way We Get By (Trilha de "The O.C.")

---A segunda, e essa é a mais rara de acontecer pela sua especificidade, é quando bandas ou artistas gravam covers (músicas de outros artistas) para compilar no filme, como uma homenagem. E, como vocês podem imaginar, as regravações são feitas especialmente para a trilha. Duas delas servem de exemplo. Uma delas é do filme "Não é Mais um Besteirol Americano", onde bandas de rock mais recentes "homenageiam" o repertório pop dos anos 80. A outra é a do filme " Uma Lição de Amor" (horrível 'tradução' do original "I Am Sam") onde artistas e bandas consagradas regravam Beatles!

Marylin Manson - Tainted Love (Trilha de "Não é Mais um Besteirol Americano")


Eddie Vedder - You've Got to Hide Your Love Away (Trilha de "I Am Sam")

---A terceira é a modalidade mais, digamos, especial de todas. Não é somente uma compilação e, sim, músicas pop criadas para o filme. Ou seja, você não irá encontrar estas canções nos álbuns daqueles artistas participantes da coletânea. A decisão de se fazer essas trilhas se definem pela grande publicidade ao redor do filme ou mesmo pelo caráter especialmente musical que a película possui. Dois exemplos pra explicar: o filme "Godzilla", que investiu pesado no seu marketing, tratou de chamar as bandas de hard rock de mais sucesso na época para compor. Já em "Nick e Norah - Uma Noite de Amor e Música", onde o filme é pautado no universo indie, algumas bandas dessa cena foram chamadas a compor. Aí vai uma palinha:

Jamiroquai - Deeper Underground (Trilha de "Godzilla")


We Are Scientists - After Hours (Trilha de "Nick e Norah...")


Pra mim, a trilha sonora é sempre "parte integrante, não podendo ser vendido separadamente". Ela lembra o filme, que por sua vez lembra a trilha e por aí vai. Uma dica que dou é, sempre que puder, ouça a trilha antes de ver o filme. Ela se transforma em algo espetacular depois dessa experiência, principalmente se o filme recebeu suas boas impressões.
Vou ficando por aqui, mas não antes de dar as devidas(e atrasadas) boas-vindas ao Ricardo e a Ana Paula! Que o hábito de discutir música sempre instigue as mentes e as mãos deles para publicarem por aqui! Obrigado aos dois! E até a próxima, pessoal (final mais Pernalonga, impossível!)

domingo, 31 de outubro de 2010

TOCA RAMONES!

Existem covers e covers. Alguns covers são simplesmente uma emulação da banda original, quando bem tocados isso é bem bacana, mas quando mal tocado é motivo de vergonha alheia. O Segundo tipo é aquele onde a pessoa coloca um pouco da sua visão ao trabalho original, e são dessas que vem os melhores covers. Chamem de versão. Eu chamo de cover.

Tudo bem, o Adilson já fez a lista dele, mas gostei da ideia de fazer a minha. Vamos lá (em ordem de memória):

1. Richard Cheese and The Lounge Against the Machine

Um sujeito bem conhecido no circuito do Jazz Lounge nos EUA. Tem suas próprias canções, mas se destacou muito com suas versões Lounge para músicas pops. Imaginem Toxic da Britney em ritmo de Lounge Jazz (aquele jazz que toca em todo filme onde há um cassino), ou Beat It, ou ainda Chop Suey. Quem sabe Personal Jesus? Ou talvez Creep? Ice Ice Baby... Smell Like Teen Spirit talvez te agrade mais. Se já teve sua fase metal do mal, talvez um Metallica (EEEEEEEEEENNNNNNNNDEEEEEEE LLLLLLLLLLLLAAAAAAAAAAAAAAAAAIIII!!!!! ENNNNNNNNNNNNNNTTTTEEEEEEEE NNNNNNNAAAAIIIIII!!). Quem sabe Naughty Girl ou Shake Ya Ass, ou mesmo Don't Cha? E até Somebody Told Me se você tiver no clima do meu primeiro post.

Cheese faz paródias de rocks, pops, raps, o que der na telha. E com um de seus álbuns com um fenomenal trocadalho (I'd like a virgin), não poderia deixá-lo de listar. Dentre tantas músicas interessantes, optei pela que tem uma certa ligação com minha adolescência. O interessante é que você consegue prestar mais atenção a letra, já que a música
tem um ritmo bem mais lento e é mais claramente cantada:

Richard Cheese (Offspring) - Come out and Play


Offspring

2. Violent Femmes

Porque alguns covers são melhores que o original. Ponto. Tem algumas músicas que definitivamente são boas, mas por algum motivo só alcançam seu potencial máximo quando outras bandas ou artistas as cantam. Esse é caso com esses dois covers do Violent Femmes. A primeira está presente no álbum Why Do Birds Sing?, um dos últimos álbuns que realmente me marcaram (mesmo que eu tenho o escutado décadas depois de seu lançamento). Trata-se de uma versão maravilhosa para Do You Really Want to Hurt Me? do Culture Club/Boy George. Aliás, eu não sabia que era um cover até me contarem. Se você nunca ouviu a original, escute o cover antes:

VF:

CC:

A outra tem uma estória no mínimo curiosa. Lembro-me que um dia estava vendo TV, a uns bons anos, quando Gnarls Barkley ainda tocava nas rádios brasileiras, e seu novo single (Gonne Daddy Gonne) tocava num canal qualquer. E essa música é de quem? Do VF. Assim, a uns dois anos atrás, o VF fez o mesmo com Crazy, resultando numa versão mais interessante que a original.

VF:
(precisa colocar a original?)

VF ainda fez um ótimo cover de Children Of Reovlution do T-Rex. Procurem.

3. Devotchka - Venus in Fur

Novamente, mais um caso de "cover melhor que o original". Aliás, todas as versões que já escutei são melhores que a original (aguardando a inquisição espanhola). Essa canção está presente no Curse Your Little Heart, que Além de Venus in Furs tem Something Stupid. A versão do Devotchka é mais pesada, menos lisérgica, e possui a identidade da banda (escute Devotchka, não dá pra explicar). A banda você provavelmente ouviu caso tenha visto Pequena Miss Sunshine, já que a trilha sonora é toda deles.

Devotchka:

Velvet Underground:

Também gosto do cover feiro por Gary Numan e Little Boots no especial para a BBC 6. Acho melhor que o original, mas gosto mais da versão do Devotchka.

4. AFI - Just Like Heaven (The Cure)

Outra banda que teve certo impacto na minha adolescência. Por favor, desconsiderem a androgenia do vocalista,
ele já superou essa fase. O AFI, ou A Fire Inside, é uma banda que surgiu no cenário punk norte-americano dos anos noventa, e que foi desde "minha mãe não me deixa ter um moicano" até músicas sombrias sobre morte, suicídio e ostracismo - não me venham com 'coisa de emo', leiam as letras antes de falarem asneiras.

Minha época favorita é essa mais sombria, e em muitas letras você via uma certa influência do The Cure, admitida pelo próprio Dave Havok. Podia ter escolhido algum cover de Misfits feitos pela banda, contudo, esse me impressionou muito a primeira vez que escutei. Foi feito para um especial da MTV, onde várias bandas tocaram músicas do Cure. E vale lembrar que bem antes o AFI havia feito uma versão de Hanging Garden.

AFI

5. Nick Cave - Disco 2000 (Pulp)

Excelente. Bem diferente da original. Disco 2000 é uma música bem animada, pop honesto, uma quase canção de amor de adolescência reprimido. Soa como empolgação na voz de Javer Cocker, algo quase feliz. Soa como melancolia na voz de Nick Cave, algo como "vamos pular essa parte e ir logo para o futuro onde eu nunca mais te verei e, quem sabe, você possa me fazer feliz ao me dar um pouco de atenção". Essa versão está no segundo CD do single Bad Cover Version (f-o-d-a), do Pulp. Nada mais apropriado.

Nick Cave

Pulp

6. Face to Face - Tommy Gun (The Clash)

Em termos de punk/hc: Para que uma banda faça cover de Clash ela precisa ter muito culhão. Especialmente do Clash, afinal, cover de Ramones qualquer um faz, porque mesmo que a banda tenha surgido por influência dos Ramones, Clash está em um nível acima (aguardando a inquisição espanhola)

Face to Face fez um cover de Tommy Gun para o álbum Burning London: a tribute to The Clash. Um álbum com ótimos covers e outros péssimos. Péssimos. Tommy Gun é um das minhas músicas favoritas do The Clash e ela não está listada no álbum, é uma faixa secreta. Descobri a música por acaso, não lembro como. Só sei que foi uma surpresa MUITO agradável. A música é quase um cover nato - sem palhaçadas, sem "vamos colocar minhas visões nessa bagaça" e qualquer outra coisa do gênero. Não só foi muito agradável descobrir essa faixa escondida, como ver que foi feita por uma das bandas que mais curtia, mas que ouvia pouco. E o pouco que eu ouvia de Face to Face passava toda a energia que o punk e o hardcore costumavam ter (bem, a maior parte das bandas de 20 anos atrás - e isso é 1990... - ainda têm). E isso é o que um cover de Tommy Gun precisa. Falem o que quiserem do hardcore, falem o que quiserem do punk, falem o que quiserem de Clash e Face to Face, mas admitam que poucos estilos de música conseguem passar tanta energia e vibração.

Clash:

Face To Face:

7. Dresden Dolls - War Pigs (Black Sabbath)

Dresden Dolls era um duo de Boston composto por bateria, piano e um vocal poderoso de Amanda Palmer. Porra, fico chateado só de pensar que provavelmente nunca vou vê-los ao vivo (voltaram para uma mini turnê nos EUA). E Dresden Dolls de vez em quando fazia covers em seus shows. Alguns desses covers foram registrados. No geral todos os covers são muito bons, mas o de War Pigs se destaca. Se o pessoal do Black Sabbath presenteou a Nina Person com um buquê por causa de Iron man, deveriam presentear Amanda Palmer com um jardim. Exagero? Decida-se:

Dresden Dolls:

Black Sabbath:

8. Muse - Feeling Good (Nina Simone)

Eleita pelos fanboys e fangirls no NME como o melhor cover de todos os tempos (nem eu considero isso), é um excelente cover. Curiosamente, não sabia que era um cover nas primeiras vezes que ouvi. Não desgosto da versão original, mas prefiro o cover. O cover é mais energético e combina muito com o clima da letra escrita pela Nina Simone. Não há muito o que ser dito. Faz parte do segundo álbum da banda, o Origin of Symmetry, e agrada bastante os fãs, sendo uma das canções que todos cantam a plenos pulmões nos shows.

Muse:

Nina Simone:

9. Maniac Street Preachers - Umbrela (Rihanna)

Pois sim! Uma música chata como Umbrela pode ficar muito bacana nas mão certas. Não é uma versão palhaça como Travis fez para Baby One More Time, pelo contrário, é bem trabalhada e faz com que essa música torne-se audível. Me agrada bastante porque não é uma zoação ou uma coisa meio forçada. E Maniac é uma banda bem subestimada cá nas terras tupiniquins, não acham?

Maniac Street Prechers

10. Bauhaus - Ziggy Stardust (David Bowie)

É agora que a inquisição me mata: prefiro o cover. Nada mais a comentar. Mentira. Não tenho absolutamente nada contra a original, muito pelo contrário. É apenas questão de gosto.

Bauhaus

David Bowie

11. Teenage Fanclub - Here Comes Your Man

Pode alguém estragar essa música? Pode. Pode alguém fazer essa música ficar melhor? Também. Como eu já vou pra fogueira mesmo, digo o seguinte: sempre gostei da original e ainda gosto. Mas ela enjoa, a ponto de ficar praticamente uma música chata. E na minha modestra opinião, com o Teenage ela fica menos chata e demora mais pra enjoar.

Se não me falha a memória, esse cover está no single de I Need a Direction. Fâs do Pixies, escutem. Fãs do Teenage que não sabiam do cover, escutem também.

Teenage Fanclub