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sábado, 14 de agosto de 2010

Os incríveis álbuns que quase ninguém ouviu

Esse post foi inspirado por um amigo meu, o Gustavo, que postou no seu twitter um álbum que eu o recomendei e ele gostou muito. Ele não conhecia a banda, apesar de ouvir tanta coisa boa quanto eu. E, disso, percebi que tem alguns álbuns que já ouvi, de bandas ou artistas meio desconhecidos que considero excepcionais - da primeira a última música - mas que pouca gente conhece. Como é um post com opinião de m*rda, é normal que muita gente não concorde completamente com minha opinião. Mas a discussão é válida, assim como minhas sugestões.

O que é mais engraçado é que existem vários álbuns que eu cogitei colocar aqui, mas acho que uns ou outros já conhecem. Feist e Doves são alguns deles. Estão no post bandas pouquíssimo conhecidas e álbuns ainda obscuros até pela minoria. Vai ter sempre alguém que vai conhecer um ou outro. Ou seja: bom pra vocês! rs... Vai a lista:

OBSERVAÇÃO: Todos os álbuns têm links diretos pra ouvir no final de cada comentário.

The Cinematics - A Strange Education

Esse é o álbum apresentado ao Gustavo. Os caras são escoceses, da terra do Franz Fedinand e debutaram com o "A Strange Education", lançado em março de 2007. Tem 12 faixas todas muito bem produzidas. O que me impressiona desse disco é a junção da linha melódica (o que é cantado) com a harmonia. Os arranjos são enxutos e MUITO precisos. Sabe aquele disco bem produzido e despretensioso? É esse aqui!

Por que o álbum é fodão? Porque te prende os ouvidos de maneira absurda, tamanho o bom gosto do material. Quem gosta de rock indie é imprescindíel ouvir! (Ouça o álbum na íntegra na minha Playlist do Mixpod)





Bell X1 – Blue Lights On The Runaway

Foi muito curioso como eu achei esse álbum. Não sei por que, pensei que estava escutando o álbum solo do vocalista do Interpol. E comecei a perceber que a voz não era a dele, mas o álbum era INCRÍVEL! Obviamente, não tinha nada a ver com Interpol, mas nem por isso deixava de ser muito bom.

Esse álbum de 2009 é o mais recente de 4 lançados pela banda. Ele mistura músicas mais agitadas com outras melódicas lindíssimas. E não é o melódica-coldplay-emo (embora eu goste de Coldplay e não de emo). São grandes canções: toques bem sacados de pop, um vocalista bastante afinado e um instrumental bem diferente do habitual. Não é um álbum galhofa, fiquem tranqüilos. É um álbum FODA!

Por que o álbum é fodão? É um álbum de rock que utiliza muitos elementos de arranjos pop deixando cada música muito diferente uma da outra. Sem nenhuma perda de qualidade e sem chatice. E vale pela frase: “você é o chocolate no final do meu Cornetto”, na música “The Great Defector”. (Ouça o álbum na íntegra na minha Playlist do Grooveshark).



Hard-Fi – Stars of CCTV

Esse foi da época em que ficava procurando todo dia as novidades da NME (New Musical Express), famosa revista britânica de música. O álbum alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas em janeiro de 2006. Foi um belo achado! O título do álbum ("Stars of CCTV") remete ao sistema de câmeras de vigilância na cidade de Londres implantado na época de gravação do disco (2005).

Voltando à música: “Stars of CCTV” também é um álbum de estréia. E a característica do som é ser um rock de pista de dança, que diverte pacas! Algo que o Kaiser Chiefs e o Kasabian fazem bem. A guitarra é bem marcante: ela dá o tom certinho entre o alívio e a intensidade das músicas. E essa variação é que dá a nuance que te empolga quando a música vai num crescente. Sem contar a bateria, que faz a sua cabeça indo pra cima e pra baixo enquanto você ouve. Aliás, impossível passar impune: você vai bater o pezinho, estalar os dedos ou acompanhar com a cabeça.

Por que o álbum é fodão? Você pode até não querer, mas seu corpo vai acompanhar involuntariamente a música. É um dos poucos álbuns que sabem botar o timbre da guitarra nas horas certas, mesmo intervendo pouco com ela. As sextas feiras ouvindo esse álbum não passam impunes! (Ouça o álbum na íntegra na minha Playlist do Mixpod)  



The Dandy Warhols – Thirteen Tales From Urban Bohemia

Esse album é um pouco mais antigo, de 2000. Mas é um dos que mais escutei em toda minha vida. The Dandy Warhols é uma banda de Detroit, cidade pouco conhecida pela sua cena indie. E, junto com Brian Jonestown Massacre (banda parceira deles, e mutcho loka), montaram um mundinho indie em meio à fama industrial da cidade.

“Thirteen Tales...” foi um dos melhores álbuns daquele ano. E não fui eu quem disse! rs... Eles mesclam elementos da cena indie com um pop certeiro, poderoso e com um baita cuidado nos arranjos. Esse é o tipo de álbum que você tem que ouvir na sequência, sem pular música e sem deixar no modo schuffle. Ele te mergulha em um ambiente sonoro e vai te levando pelos vários meandros de músicas muito diferentes, mas sempre com um mesmo clima.

Por que o álbum é fodão? É um dos poucos álbuns preocupados em criar uma atmosfera sonora sem ser chato em momento nenhum. Além disso, é cheio de ótimos singles e a música mais maneira daquele ano: “Bohemian Like You”. (Ouça o álbum na íntegra na minha Playlist do Mixpod)


The Stills – Logic Will Break Your Heart

Esse é meu xodó. Impossível ver a capa sem ficar pensando sobre ela. E, pra mim, a capa diz muito sobre o disco. Como muitos aqui, é também álbum de estréia (2003). Essa banda canadense “corre por fora” na cena indie. Junto com a Feist, é uma das melhores coisas do Canadá (brincadeira! Tem a Alanis também...rs...). Depois desse álbum vieram outros também muito bons. Mas pra mim, nenhum deles bate esse aqui.

É um típico álbum de rock. E um típico álbum indie. 2 guitarras, uma com a linha melódica e outra com riffs que caracterizaram os Strokes e Franz Ferdinand. O baixo é bem marcado, discreto na medida certa. O vocal é simples com melodias certeiras! E tem a melhor performance de um baterista em um álbum. Se existisse prêmio de melhor gravação de bateria, seria pra esse cara. É incrível como ele domina o instrumento e faz as músicas ganharem uma qualidade absurda. (Ouça o álbum na íntegra na minha Playlist do Grooveshark)

Por que o álbum é fodão? Acho que, em alguns momentos, é difícil descrever sensações. E acho que é só ouvindo pra tentar entender algumas coisas que falei sobre esse disco. O mérito vai pelo rock bem feito, de batera/baixo/guitarra/vocal que, de tão honestos, fazem o álbum um dos melhores que já ouvi.


Rodrigo Campos – São Mateus Não É Um Lugar Assim Tão Longe

Esse álbum é um dos principais da cena contemporânea de São Paulo surgida nos últimos 2 anos de ótimos compositores e músicos. (Pra saber mais, veja essa matéria d'O Globo).  E, se você não tem preconceito musical e o que importa pra você é sua qualidade, corra pra ouvir esse disco. Na verdade, não chega a ser um disco estritamente de samba: ele usa outros elementos na sua música e transforma o simples samba em algo elegante, coisa difícil de achar por aí. "São Mateus...", outra obra pensada do início ao fim, remete, segundo a uma crítica que vi, a algo parecido com um olhar cinematográfico. Concordo plenamente. Mas não é um simples início-meio-fim. O “tema” que Rodrigo Campos utilizou foi contar sobre sua infância no bairro São Mateus (periferia de São Paulo) e da vez que retornou lá pra reencontrar os amigos de infância. O que você escuta são os flashes de sua memória, captados e representados através das canções.O álbum se torne um registro de suas lembranças e histórias no bairro.

E isso faz de "São Mateus..." uma peça melancólica e tocante! Difícil não ouvir o álbum e não se transportar pro mundo em que Rodrigo viveu. A violência, o sexo, as reuniões com os amigos, o dia dia de quem viveu tudo na pele está nos seus ouvidos, com sutileza e sensibilidade.

Outra coisa muito boa nesse álbum é a presença de Luisa Maita, cantando 4 músicas no álbum de seu namorado. Já falei de Luisa em um post anterior e acho incrível o que seu timbre faz com as músicas e como compõe. Double Hit Combo!

Por que o álbum é fodão? Porque te pega pelo pé: foge do clichês dos sambas comuns e trata o álbum como uma obra e não como um punhado de canções. Quer imergir na São Mateus de Rodrigo Campos? Escute e se emocione.(Ouça na íntegra na Rádio Uol).


Tem muitos mais de onde esses vieram. Se tiverem algo pra indicar, os comentários estão mais que abertos. Espero que escutem e se divirtam com as músicas deste post. Até mais!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O que tem de bom pra se ouvir no Brasil?

No embalo do anúncio do Prêmio de Música Brasileira, quis falar sobre o que rola no Brasil. Fui lá ver se tinha algum indicado interessante ou alguma novidade. Uma coisa boa e uma coisa ruim tenho pra dizer, rapidamente. A notícia ruim é que não há, rigorosamente, nenhuma novidade no prêmio em termos de música brasileira. Estão lá os velhos medalhões (Caetano, Maria Bethânea, Zélia Duncan, Ed Motta), um ou outro nome pouco conhecido. Mas não deixa de ser uma coisa muito ruim. A notícia boa: Nenhuma bandinha dessas que fazem sucesso nas rádios com adolescentes (Restart, Fresno, NX Zero e outros) não são nem sequer citados. Prova de que são irrelevantes na cultura musical do país. Ainda bem!

E se você é daqueles que não tem ouvido muita coisa legal por ai - principalmente de rock - mas que gosta de ouvir outros ritmos pra não ficar na mesmice, esse post é pra você! É, você mesmo que tá lendo! Eu quis juntar o útil ao agradável. Todos os meus amigos me pedem sugestão de algo pra ouvir, principalmente quando querem novidade. E, nesse post, vou botar 3 artistas não tão famosos mas que fazem um som muito bom.

Max de Castro
Você, provavelmente já ouviu falar do filho do Wilson Simonal. Mas, diferente do seu irmão Wilson Simoninha, Max resolveu iniciar sua carreira musical misturando rock com eletrônico (muito hypado na época em que lançou sua carreira, anos 2000). Lançou "Samba Raro" em 2002, "Orquestra Klaxon" em 2003, e "Max de Castro" em 2004. Mas, pra mim, nenhum deles é melhor do que "Balanço das Horas", de 2006. Nesse último, ele faz composições excelentes com um som rock 'n'roll quase de garagem, mas muito bem produzido. Não deixa nenhuma banda indie americana ou inglesa prá trás. E falo muito sério.

Max de Castro - No Balanço das Horas

Essa mulher era pra ter feito sucesso há algum tempo. Luisa gravou e ajudou a compor no álbum de Rodrigo Campos (chama "São Mateus não é um lugar assim tão longe". Interessou? Vá no MySpace dele). E também gravou seu álbum, mas não o lançou pois estava esperando uma oportunidade pra fazê-lo bem. E não é que a oportuidade apareceu? O álbum vai sair pela gravadora da Oi no 2º semestre.  Influenciada pelo samba jazz, Luisa tem uma voz afinada e timbre de veludo! Mistura MPB com uma pegada pop muito interessante. Ouve aí:

Luisa Maita - Alento

Luisa Maita - Lero-Lero

Fino Coletivo
Lançado em 2007, o primeiro CD dos caras("Fino Coletivo") é muito bom. Cariocas que são, fazem um samba cadenceado com elementos de black music, funk(James Brown & afins, ok?) e pop. Mandam muito bem nas letras e no vocal, coro uníssono e difícil de confundir. Lançaram o segundo álbum este ano, "Copacabana", que está mais ensolarado e festivo. E, claro, mantendo o nível excelente das músicas. 

Fino Coletivo - Boa Hora

Quando puder, vou postando novidades que gosto de ouvir e compartilho. Enjoy e inté!